quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os primeiros dias pós-AVC

Nos dois primeiros dias após o AVC, papi ficou à base de trombolítico.
Após pesquisas na net, vimos que o trombolítico, para fazer efeito, deve ser ministrado até 4 horas após o AVC.
Ficamos muito esperançosas, pois, do início do AVC até o primeiro atendimento hospitalar não levou mais do que 50 minutos. Glória!!! Papi estava salvo!
Mas, como com o Pinheiro tudo acontece, o coágulo no cérebro não dissolveu e permaneceu ali por alguns dias, levando-o a um quadro de "quase" AVC Hemorrágico.
Passaram-se os dias e após uma tomografia o coágulo havia se desfeito.
Agora, era necessário pensar na carótida esquerda entupida!
O procedimento para desentupi-la era colocar um stent. Porém, como o sangue estava muito fino por conta do trombolítico e dos demais remédios para dissolver o coágulo, este procedimento era arriscado.
Então, o negócio era esperar!!!
Enquanto nós esperávamos, eu, em plena Florianópolis, só ficava com o coração apertado!!!
Eu pensava que uma pessoa com quadro de AVC ficava inconsciente sobre o que estava acontecendo. Pura ilusão! Meu pai tinha plena noção que havia sofrido um AVC! Ele respondia sim e não com a cabeça, chorava por não conseguir falar, se emocionava quando via minha mãe!
Além das limitações da fala, movimentos, meu papi sofreu com as limitações relacionadas ao pudor. Urinava e evacoava na fralda e precisava se ajuda para se banhar.
A realidade de um paciente vítima de AVC é dura, mas precisa ser encarada como um processo natural pós-AVC!
Os primeiros dias são cruéis, mas nada melhor do que buscar histórias positivas sobre pessoas que superaram este problema!!!
Foi isso que eu e minhas irmãs fizemos: corremos atrás de informação.
Hoje, 54 dias após o AVC, papi já vai ao banheiro e ainda precisa de auxílio no banho, mas somente para sentar na cadeira higiênica.
Entretanto, é preciso todos saberem que um AVC de um paciente não é igual ao AVC de outro paciente. A recuperação depende de vários fatores, dentre eles, a força de vontade de quem sofre o AVC.

Foto tirada em 04 de julho de 2014, 14 dias após o AVC.
Papi dormindo como um anjo!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Correndo atrás de informações sobre AVC

Após os primeiros dias do AVC do meu papi, imediatamente começamos a procurar informações na internet sobre o que tinha acontecido, quais sequelas, quais limitações, quais tratamentos, ...
Nós buscávamos informações sobre tudo o que pudesse nos "ajudar a ajudar" nosso papi.
Buscamos informações e eu, principalmente, busquei casos, pessoas e histórias positivas... Eu não queria derrotas, só vitórias!!!
Foi assim que achei um blog de uma pessoa especial, que havia tido um AVC de tronco. Para mim, o AVC mais foda que uma pessoa poderia ter. O Blog se chama "SOBREVIVI A UM AVC" e os relatos estão em http://avccva.blogspot.com.br/.
O nome dela é Adriana Baltar, teve dois AVC em 2011 aos 42 anos! Hoje, ela leva uma vida normal: fala, anda (de salto), dirige e interage normalmente.
Li todos os seus posts. Eles me ajudaram a perceber que existe vida pós-AVC.
Também estudei uma história muito interessante de uma mulher chamada Jill Taylor. Ela é neurocientista e teve um AVC hemorrágico aos 37 anos. Ela viveu esta experiência, estudando cada limitação que o AVC lhe causou. Hoje, após mais de 15 anos, leva uma vida normal e é professora de uma universidade (veja o vídeo aqui: http://youtu.be/ur7MsKQU0vk).
Vi também um vídeo de uma linda mulher, muito especial, chamada Luciana Godói. Ela sofreu um AVC antes dos 40 anos, perdeu a fala e parte dos movimentos. Hoje, após intensivo tratamento no instituto Albert Einstein, leva uma vida normal e consciente (veja o vídeo aqui: http://youtu.be/Z1JUx0gpDFQ).
Todas essas histórias me fizeram refletir que não estamos aqui neste plano à toa!
Estamos aqui para fazer a diferença. Estamos aqui para iluminar algo ou alguém que precise de nossa luz!
Especialmente, a luz das palavras escritas por Adriana Baltar alcançou minha alma profundamente. Me deu ânimo para continuar com o pensamento positivo...
E este é o principal objetivo deste blog: iluminar aqueles que estão passando pelo mesmo problema com mensagens de vitória!
E a vitória do meu papi tem sido conquistada aos poucos, com muita dedicação!

Abaixo, fotos tiradas nos dois primeiros dias após o AVC.
O olhar vazio foi o mais triste que meu papi já teve.
Inicialmente, a família se choca, mas depois que o tempo passa,
tudo vai voltando à normalidade!



Abaixo, foto tirada em 30 de julho de 2014, 40 dias após sofrer o AVC.
O olhar é bem diferente dos primeiros dias de AVC.
O olhar mais expressivo e a comunicação já começam a fazer toda diferença.
Sim, a recuperação é notória e a certeza de poder ter uma vida normal também!


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O que ocasionou o AVC do Pinheiro?

Nós somos seres humanos e sempre queremos uma resposta para tudo!
E precisávamos da resposta: o que levou meu papi a ter um AVC?
Bom, o Pinheirão ficou internado com quadro de AVC Isquêmico Trombótico, ou seja, uma espécie de coágulo se soltou e causou um entupimento numa veia cerebral.
No primeiro infarto foi diagnosticado com uma doença chamada "aterosclerose". Esta doença leva ao entupimento das artérias com gordura e cálcio. Mas o Pinheiro sempre levou uma vida saudável: não fuma, não bebe, é magro, alimentação livre de gorduras e açúcares, pressão controlada, essas coisas...
Fazer o quê! Às vezes a genética é cruel com a gente!
Um novo entupimento, desta vez na carótida esquerda, proporcionou um coágulo que se soltou e foi para o cérebro.


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Quando tudo começou...

Foi numa manhã de 20 de junho de 2014, sexta-feira, que tudo começou.
Um dia antes, estávamos nos falando pelo Skype.
Meu pai, o Pinheiro, sempre brincalhão e bem disposto, estava lá, do outro lado da minha telinha, fazendo suas caretas para fazer as crianças rirem.
Minha mãe ainda comentou que ele, naquele dia, tinha tido uma tontura. Atribuímos tal ocorrido à pressão baixa, já que toma remédios para pressão após seus dois enfartes.
Desligamos o Skype e a saudade ficou ali do meu lado.
No dia seguinte, vida normal: crianças, trabalho, café, etc.
Até que minha irmã começou a me ligar sem parar. Como eu não atendia, ela me deixou uma mensagem: "Eli, me liga assim que puder. Bjs"
Pow, sempre quando ela me manda mensagens assim, alguma coisa aconteceu.
Pensei logo: deu alguma merda com o Papi. Mas, eu esperava que fosse algum problema mais simples.
Não! Não era simples! Meu pai teve um AVC!
Nossa! Meu mundo foi ao chão!
Meu coração apertou. Minha voz não saía. Meus olhos se encheram de lágrimas, como estão agora, escrevendo este post.
Meu papi, o Pinheirão, sempre foi "o Pai", o paizão para todas as horas, para todos os momentos, para tudo! Não, eu não podia perdê-lo!
Depois de passado o "baque" da notícia, comecei a ver que Deus é divino e costura o destino de forma maravilhosa.
Na segunda-feira daquela semana, meu filho estava doente e minha mami queria vir para Florianópolis me ajudar, sem eu saber. Ligou, incansavelmente, para minha irmã comprar a passagem para ela. Pela força divina, minha irmã não atendeu o celular (só um detalhe: o celular é parte do corpo dela).
Se ela estivesse em Floripa, o que seria do meu papi naquela sexta-feira?
E assim vamos levando a vida...
Com uma vitória a cada dia!

Foto tirada em 2010.
O bigode mais lindo do mundo!
Pinheiro